Comunidade Universitária se mobiliza contra ação truculenta da polícia federal contra reitores e vice-reitores (as)

A Universidade Federal de Minas Gerais foi "acordada", na manhã desta quarta-feira, dia 6 de dezembro, com um batida da Polícia Federal que supostamente apura imperícia no projeto Memorial da Anistia. Durante a execução da, irônicamente chamada, Operação "Esperança Equilibrista", foram conduzidos o reitor, prof. Jaime Arturo Ramirez; a vice-reitora, Sandra Goulart Almeida, além do ex-reitor, prof. Ronaldo Tadeu Pena; e das ex-vice-reitoras, professoras Rocksane de Carvalho Norton e Heloísa Starling. Também foram levados a profa. Silvana Cosi e do prof. Alfredo Gontijo. O ex-reitor, prof. Clélio Campolina Diniz, que também é ex-Ministro da Ciências e Tecnologia, só não foi preso, porque não foi encontrado na Universidade.

Até o momento, ninguém teve acesso ao suposto processo. O jornalista Luis Nassif publicou, em seu blog, o que poderia ter levado a Polícia Federal adentrar a UFMG e prender os reitores e vices dos últimos três mandatos. Segundo Nassif, a PF apura se houve imperícia no projeto Memorial da Anistia que tem quase 10 anos e, por falta de verbas, não foi terminado.

Comunidade universitária se mobiliza contra a truculência e abusos

Em rápida ação de mobilização, Técnico-Administrativos em Educação, Professores e Estudantes foram para a porta a Polícia Federal para acompanhar o processo e exigir transparência e respeito as leis na condução das supostas investigações.

Confira no vídeo abaixo o depoimento das coordenadoras gerais, Neide Dantas e Cristina del Papa, que estiveram no local.

CUT-MG e SINDIFES convocam coletiva contra ação da polícia federal

A presidente da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, em parceria com o SINDIFES, movimentos sindicais, estudantis e sociais, convocou uma coletiva para às 14h, na sala de imprensa da Assembleia Legislativa, para denunciar a ação fascista, e reagiu dizendo que “a UFMG sofre o mesmo ataque que a Universidade de Santa Catarina sofreu!”. Ela se referiu à prisão do reitor Luiz Carlos Cancellier, que foi afastado da instituição por determinação judicial em setembro e encontrado morto no mês seguinte. Ele se matou por não ter suportado o constrangimento e a humilhação a que foi submetido. Ele nem trabalhava na universidade quando ocorreu a suposta corrupção que estava sendo investigada.

“Nós não ficaremos calados!”, afirmou Beatriz que criticou o que chamou de "espetáculo" de promoção pessoal dos agentes que estão atuando nisso” e a atitude da mídia comercial que cobre essas ações sem questionar nem ponderar sobre o que a polícia está fazendo com as universidades públicas brasileiras e com a sociedade. “Poucas perguntas serão feitas pela mídia comercial, as pessoas serão condenadas, antes sequer de serem acusadas e julgadas. Não haverá o contraditório! Nós faremos o contraditório!”, concluiu Beatriz.

Cristina del Papa, lembrou que as contas da UFMG foram aprovadas pelo Tribunal de Contas da União e demais órgãos de controladoria, inclusive as do mandato do professor Jaime Arturo Ramirez. "Todas as universidades, pela lei, são obrigadas a passar por uma auditória externa, como a UFMG passou. Todas as pessoas tem residência fixa em Belo Horizonte, dão aula e o que vemos é a atitude de tornar tudo um espetáculo. A comunidade universitária é contra a ação como foi feita, não somos contra a justiça que dê condições a ampla defesa e ao contraditório. Não vamos aceitar tudo que está acontecendo. Vamos nos movimentar nacionalmente para que isso não fique impune, porque são pessoas e jogaram a trajetória destas pessoas na lama, na lata do lixo".


Confira as notas de contrárias a ação da polícia federal

Andifes denuncia 'ilegalidade da medida'

Para Comissão da Verdade, ação criminaliza segmento que se opõe ao autoritarismo

Associação Nacional de Pós-Graduandos critica operação "em que não há suspeitos"

Unegro diz que operação afronta luta pelos direitos humanos

Conselho das fundações de apoio vê abuso em mandados

Nota da Frente Brasil Popular sobre a operação da PF na UFMG