4ª Conferência Nacional de Formação da CUT começa em Belo Horizonte

Com o tema “Somos e fazemos o trem da história”, e com todos os vagões do futuro do trabalho, da luta por direitos, transição justa e socialismo, começou na tarde desta segunda-feira (27), a 4ª Conferência Nacional de Formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no ginásio do Sesc Venda Nova, em Belo Horizonte. A Conafor, delegados e dirigentes CUTistas vão debater até na sexta-feira (31) as propostas construídas nas Etapas Regionais para atualizar a Política Nacional de Formação da CUT para o próximo período de luta de classes. A última Conferência foi realizada em 2006, no Pontal do Paraná.

Rosane Bertotti, secretária de Formação da CUT, fez a saudação às delegadas e aos delegados e fez um relato sobre o que motivou a realização da Conferência em Minas Gerais “É o trem da paz, é o trem da luta. Assim é a CUT, vamos enfrentando todos os nossos desafios um a um, para defender a classe trabalhadora. Chegamos a Minas. Decidimos trazer esta Conferência e jamais imaginávamos que passaríamos  por tanta violência, tantos ataques aos direitos. Mas nunca deixamos de acreditar na luta da organização da classe trabalhadora. É golpe, ataque aos movimentos sociais, ao movimento sindical, dificuldades financeiras. Pensamos em desistir, mas fomos beber da fonte. A base disse que é o momento de organizar trabalhadoras e trabalhadores. Nos orgulhamos de termos construído a CUT. A história de trabalhadoras e trabalhadores não seria a mesma sem ela. Mas, agora, temos que dar mais um passo.. Precisa dar mais um passo, avançar ainda mais na organização da classe trabalhadora e, para isso, a Conferência é fundamental. Ninguém solta a mão de ninguém.”

“Muitos companheiros e companheiras construíram juntos a Conferência e vamos esgar juntos nestes cinco dias. A Conferência também é fruto da solidariedade. Várias organizações contribuíram e ela foi construída migalha a migalha. Já nos disseram um dia: ninguém ouse duvidar da capacidade da classe trabalhadora. É necessário estar na luta, por isso sairemos daqui para fazer o ato Lula Livre. Travamos muitas batalhas e com a máxima de ninguém solta a mão de ninguém, vamos construir um bom debate. Agradeço a Minas Gerais, em nome do Jairo (Nogueira Filho) e da Feliciana (Saldanha), que nos acolheu. Somos e fazemos o trem da história.”

“Ê trem bão e embarcamos nele desde a etapa regional. Tudo para nós é trem, menos o próprio trem, que chamamos de ‘coiso’”,  brincou Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG).  “Agradecemos a Rosane Bertotti e à CUT por trazer a Conferência. Vivemos um momento crítico, e a Beatriz (Cerqueira, presidenta da CUT/MG e deputada estadual) não pôde comparecer porque acontece, nesta tarde, uma audiência sobre o crime da Vale em Brumadinho e a ameaça de rompimento da barragem de Barão de Cocais. Nós em Minas e as cidades turísticas que estão vivendo o caos com a mineração e são mais de 800 barragens. A formação nos traz oportunidades de fazer o debate da privatização. Antes da privatização da Vale, não aconteceram tantas tragédias, tantos crimes como nos últimos anos. A privatização está nos trazendo esta experiência. Quando a Rosane falou em trazer a Conferência, eu disse que seria difícil ficarmos cinco dias fechados aqui, diante de tantos desafios. Mas, depois entendi que se não pararmos, não nos prepararmos como lidar com o que está acontecendo, vamos apenas reagir. Vamos sair daqui muito diferentes do que estamos hoje. E faço uma convocação: vamos para o Centro de Belo Horizonte e participar do sambão Lula Livre. É com a cultura e a música que vamos atrair mais gente para nossas lutas.”

A secretária da Juventude, Cristiana Paiva, ressaltou a importância da Conferência para a discutir o futuro da classe trabalhadora. “Este momento é extremamente importante e estratégico. A dificuldade existe, mas faz parte de toda luta. Nosso compromisso é discutir o mundo do trabalho, rumo ao socialismo. Precisamos de um momento para discutir o nosso futuro. Desejo uma ótima Conferência para todos nós. Rosane pensou em cada um de vocês, e os detalhes é que fazem abrilhantar este momento. Me emocionei com a mística. E temos que nos preparar para o dia 30 e para a Greve Geral, no dia 14 de junho. Viva a juventude, viva a classe trabalhadora.”

“Saudação a todos e todas e, em especial, às minhas companheiras. Em primeiro lugar, não há nada demais em dizer o que você, Rosane (Bertotti) fez para valorizar este processo. Somos sujeitos políticos de nossa própria história. Isto se vive. Eu que sou lá do Norte embarco neste trem. A formação é estratégica para a CUT. É preciso que todos entendam isso. No último período vivemos momentos muito duros. Eles decidiram que iriam nos matar. Nós decidimos viver, resistir. A Conferência dará fundamental contribuição ao Congresso da CUT, que será em outubro. Nossos desafios são muitos, o principal é um dos principais é conquistar a liberdade do Lula. Vamos defender a democracia, enfrentar a retirada de direitos. O capitalismo mudou e mudou a forma de enfrentá-lo. E precisamos ser capazes de nos reinventar. Este é o grande desafio para o próximo período e a formação é essencial. Temos que fazer tudo ao mesmo tempo: a formação e nos preparar para a Greve Geral. Já fizemos a greve geral em 2017 e faremos ainda melhor no dia 14 de junho. Todo nosso tempo tem que ser dedicado para organizar o povo, lutar e acumular forças. Quando se luta e organiza a gente consegue ter vitória. Um abraço a todos, vamos atravessar o mar, resistir à tempestade e conquistar a vitória da classe trabalhadora”, disse Carmen Helena Ferreira Foro, vice-presidenta, que falou em nome da CUT.

Rosane Berttoti ainda fez mais uma homenagem ao ex-presidente Lula. “Realizamos 27 etapas estaduais e muitas atividades para construir as propostas para a  4ª Conferência e uma das mais emblemáticas foi no Espaço Marielle. Queríamos, agora, que um grande companheiro estivesse conosco, mas ele está impossibilitado por uma injustiça e por defender a classe trabalhadora. É um preso política. Que construiu conosco a CUT, que acredita que a classe trabalhadora precisava de uma central forte, mas também de um partido. Escrevemos uma carta para ele”, disse Rosane Bertotti, que convidou Adriana Maria, secretária de Comunicação da CUT Santa Catarina, e Luiz Carlos dos Santos, secretário de Promoção da Igualdade e Combate ao Racismo da APP, do Paraná, para ler a carta da Rede Nacional de Formação da CUT dirigida da Lula. “Aguardamos sua cartinha, que por certo virá, para que seja lida. Seguimos sonhando e lutando, ninguém pode ousar e duvidar da capacidade da classe trabalhadora. Lula Livre”, diz um trecho da carta. Depois da leitura foi inaugurada, no palco, a Estação Lula Livre.

No início da noite, todos e todas se deslocaram para a Praça Sete, na Região Central da capital mineira, para se unir aos movimentos sociais e às lideranças políticas no Ato Cultural em defesa do ex-presidente Lula. A manifestação foi convocada pela Frente Brasil Popular para  dar mais visibilidade à injustiça contra Lula, que foi preso sem provas e apenas por convicção de Sérgio Moro. Durante o ato, houve protesto, mas com samba e energia.

Mística e embarque no trem

Antes da abertura oficial, Quincas da Viola, do grupo Trem Mineiro, acompanhado pelo baterista Aender Reis e com a participação em algumas músicas de Dirceu Dresch, ex-deputado estadual em Santa Catarina e da agricultura familiar catarinense, apresentou modas de viola, clássicos sertanejos, canções tradicionais e de compositores mineiros, e até o que denominou “Hino do Vale do Jequitinhonha.

A cantoria foi seguida de mística com o Coletivo Mundicá, de Belo Horizonte, formado pelos atores e músicos Márcio Versoli, Ludmila Benquerer e Rodrigo Salvardor; e Os Semeadores de Sonhos, de Curitiba, com o violeiro João Bello e a cantora e atriz Susi Montesserat. Eles se apresentaram em um cenário que simulava uma estação de trem. A cada dia, a programação cultural representará uma das regiões do país. A primeira foi a Sudeste. Mas foram saudados delegadas e delegados de todas as regiões.

Ao iniciar a performance soou uma sirene e Susi Montesserat lembrou, em texto emocionante, o massacre e crime ambiental da Vale em Brumadinho. Depois eles interpretaram o embarque na estação da Conferência, tocando o “Trenzinho do Caipira”, de Heitor de Villa-Lobos. “Sejam bem-vindos à 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, todos são convidados a embarcar nesta viagem. A uma luta em que não pode faltar a alegria. O combustível do sorrir, de se alegrar. De pé, vamos viajar”, convocou Márcio Versoli. E todos e todas embarcaram a viagem, formando trenzinhos. “Bem-vindos a esta viagem, para um país mais justo. Que viagem linda”, acrescentou Versoli. E todos gritaram “Lula Livre”.

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Disponível em <https://sindifes.org.br/reforma-da-previdencia-e-tema-de-seminario-na-ufmg-no-dia-da-greve-geral-da-educacao-15-de-maio/> Acesso: 26/06/2019 às 13:58