Na última quinta-feira, 30 de abril, o SINDIFES-MG esteve presente na 24ª Reunião Extraordinária da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em audiência pública da edição 2025-2026 do programa Assembleia Fiscaliza – Tema em Foco. O objetivo da audiência foi monitorar o cumprimento das metas e estratégias do Plano Estadual de Educação (PEE) relativas ao atendimento da educação superior, as metas 12 a 14.
Em nome do SINDIFES-MG, o coordenador de Política e Formação Sindical, Leôncio d’Assumpção de Souza, representou o Sindicato e trouxe ao plenário da ALMG a perspectiva dos Técnico-Administrativos em Educação (TAE) como sujeitos centrais na implementação das políticas públicas de educação superior, mas amplamente invisibilizados dentro das Instituições Federais e Estaduais de Ensino.
Leôncio abriu sua fala a partir de um tema que havia sido levantado momentos antes na audiência: as ameaças do atual governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), de não nomear o/a candidato/a eleito/a nas eleições em curso da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), um ataque direto à autonomia universitária e à vontade da comunidade acadêmica.
Foi nesse contexto que o coordenador relembrou a aprovação, em 30 de março, da Lei nº 15.367/2026, que extingue a lista tríplice nas eleições para reitoria das Universidades Federais, um avanço importante para a democratização da gestão universitária. No entanto, o coordenador foi enfático ao afirmar que esse passo, por si só, não é suficiente. Enquanto não houver paridade real entre docentes, discentes e técnicos tanto nas eleições para reitoria quanto nos Conselhos Universitários, a democracia nas IFES não será alcançada.
A Categoria como pilar invisível da Educação
Leôncio abordou alguns pontos do PEE para demonstrar que a atuação dos TAE é basilar para o cumprimento das metas estabelecidas, especialmente no que diz respeito à implementação das políticas públicas dentro das IFES. Apesar disso, a Categoria frequentemente não é reconhecida como um dos pilares fundamentais da educação pública. “O Técnico não é apoio nem suporte. A gente oportuniza aprendizagem”, afirmou Leôncio.
Precarização da Carreira
A desvalorização dos TAE, para o coordenador, não se expressa apenas na falta de reconhecimento simbólico dentro das instituições. Ela se manifesta concretamente na precarização salarial e, sobretudo, na ausência de uma concepção de carreira que dialogue com a educação pública que se quer oferecer. Leôncio defendeu que a lógica da Carreira TAE deve ser a mesma que orienta a carreira docente: quanto maior a qualificação do servidor, melhor a educação pública oferecida à sociedade.
Esse problema é ainda mais grave na rede estadual de ensino, que, segundo o coordenador, tem aprofundado a precarização das condições de trabalho desses profissionais. Leôncio defende a construção de um Programa de Desenvolvimento da Carreira TAE que abranja tanto a rede federal quanto a rede estadual e que coloque efetivamente o terceiro ator da Universidade no centro do debate sobre educação pública.
“Precisamos sair desses dois atores e colocar o terceiro ator dentro da Universidade. Isso é ser Universidade: um plano de carreira que dialoga com a educação”, afirmou.
Assista à fala do Leôncio: clique aqui



