4ª Conferência de Formação debate impactos e desafios do Futuro do Trabalho

Em mesas simultâneas, grupos debateram as transformações da revolução tecnológica no sindicato, na saúde do trabalhador, no trabalho do campo e a qualificação profissional e a integração global no trabalho dos sindicatos

Na parte da tarde do segundo dia da 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, nesta terça-feira (28), cerca de 450 delegados e delegadas de várias regiões do país se dividiram em grupos temáticos para aprofundar a discussão das transformações da revolução tecnológica no sindicato, na saúde do trabalhador e no trabalho do campo. E também para debater a qualificação profissional e a integração global como ferramentas importantes para os sindicatos.

Cada trabalhador e trabalhadora escolheu online, por meio da plataforma de formação da rede nacional de formação, qual mesa debatedora iria participar. Teve sala que não tinha nem mais cadeira para sentar e outras tiveram animação com apresentações culturais nos intervalos dos debates.

Confira como foram os debates em cada mesa temática:

A mesa Futuro do Trabalho e a Formação e Qualificação Profissional

A discussão na mesa de debate o Futuro do Trabalho e a Formação e Qualificação Profissional foi em torno das mudanças no mundo do trabalho com o surgimento de novas tecnologias e o desafio dos sindicatos diante dessa realidade.

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Rosana Miyashiro, da Escola de Turismo e Hotelaria do Canto da Ilha, falou da importância qualificação profissional com viés da classe trabalhadora porque “é a nova realidade que está mudando com as novas tecnologias”. “Os trabalhadores para se inserir hoje no mercado de trabalho precisa saber das novas tecnologias, das empresas de aplicativo às empresas online. Qual é o papel do movimento sindical? questionou.

De acordo com a professora, a qualificação profissional tradicional tem formado ideologicamente o trabalhador. “O índice de suicídio entre os jovens é alarmante devido à pressão das novas tecnologias. Devemos disputar um projeto de qualificação profissional. Como o trabalhador enxerga as novas tecnologias? Como as empregadas domésticas enxergam?”, finaliza.

Mesa o “Futuro do trabalho e as perspectivas sindical”

O debate sobre o Futuro do Trabalho e as perspectivas sindicais propôs refletir de forma mais profunda os impactos das transformações tecnológicas e produtivas e os principais desafios do movimento sindical para continuar na luta em defesa da classe trabalhadora.

O ex-presidente da CUT e atualmente na Fundação Perseu Abramo, Arthur Henrique Santos, apresentou dados sobre a representação dos trabalhadores no Brasil, que apontam que mais de 100 milhões de pessoas não estão ligadas a sindicatos.

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“Uma média de 100 milhões de pessoas não são representadas por alguma entidade. É papel da Central discutir isso e de que forma trazê-los pra luta. Se será associação, sindicato ou centro de defesa dos direitos, o que seja, mas é preciso representá-los”, afirmou o dirigente, que também foi secretário do Trabalho na gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.

“Temos muita gente, inclusive, que não se enxerga como classe trabalhadora porque abriu um pequeno negócio. E isso é dos grandes desafios que temos, o de resgatar a consciência de classe”, seguiu Arthur.

Sobre o avanço das tecnologias, ele acredita que o movimento sindical deve aproveitar as oportunidades que revolução industrial irá trazer, já que as mudanças estão colocadas.

“Há muitos anos ouvimos que o trabalho vai acabar. Mas ele, na verdade, vai se modificar, como já tem ocorrido. Portanto, também temos que alterar nossa forma de organização”. Por fim, ele diz que a tecnologia não vai resolver os problemas da humanidade como tentam fazer parecer. “Vai ter mais gente na miséria, aumento da pobreza e dos riscos à saúde”.

Já Gustavo Gandara, da Uocra disse que os sindicatos precisam estar no dia a dia dos trabalhadores. “Entendemos (centrais) que já não basta a defesa dos salários e de condições decentes nos locais de trabalho. Mas era preciso olhar para o todo, para toda a família do trabalhador. Então passamos a dar respostas para áreas como a saúde e educação, por exemplo”, disse Gandara.

Mesa: Futuro do trabalho e a Integração Global

Para enfrentar a globalização e os ataques aos direitos dos trabalhadores é preciso uma educação civilizatória e a união dos trabalhadores. Estas foram a conclusões apresentadas pelas companheiras Jane Silverman e Denise Mota em suas apresentações na mesa temática sobre o “Futuro do Trabalho e a Integração Global”.

“Enfrentamos uma globalização desenfreada, o avanço tecnológico que gera desemprego, produtos tem uma obsolescência programada, mudança climática e a volta do unilateralismo nas relações internacionais. Tudo isto em uma economia cada vez mais desumana”, diz Jane Silverman, diretora dos programas da Solidarity Center AFL CIO do Brasil e Paraguai

“Precisamos resignificar os direitos humanos, reconstruir esta ideia para os trabalhadores, pois aí temos direito a moradia, direitos trabalhistas, direito a educação, a um meio ambiente sadio, a diversidade. Precisamos retomar nosso projeto político”, afirma Silverman.

A secretária regional da Internacional de Serviços Públicos (ISP-Brasil), Denise Mota, lembrou que a reforma trabalhista que prometia milhões de empregos gerou 13 milhões de desempregados e estas políticas de retiradas de direitos estão acontecendo no mundo inteiro.

“São interesses internacionais agindo no Brasil. Como uma gigante americana que está comprando hospitais e demitindo dois de cada quatro enfermeiros e obrigando os que ficam, a baterem a mesma meta. Na educação, vemos a terceirização irrestrita, inclusive de professores. Nos bancos são as políticas de metas que acabam com a saúde dos trabalhadores. No campo, os trabalhadores rurais estão sendo substituídos por máquinas ou morrendo pelas péssimas condições de trabalho”, explica.

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Mota avalia que é a saída é a unificação dos movimentos e até das instituições. “Na Inglaterra, os sindicatos dos trabalhadores públicos se unificaram para lutar contra a onda de privatizações na década de 80. “Precisamos de união e começar a representar essa juventude que está entrando no mercado por meio de aplicativos com o Uber. Nossa tarefa é trazê-los e fazer com que eles entendam que são classe trabalhadora”, finaliza.

Futuro do trabalho no campo e transição justa

O debate desta mesa foi em torno da importância de olhar para as transformações do futuro do trabalho no campo e as preocupações com as questões ambientais em conjunto com as condições de trabalho decente e que respeite o modo de ser e de viver da agricultura familiar.

“Considero que a transição justa é um tema central para o movimento sindical no momento, numa disputa internacional que travamos, que envolve a conferência do clima, a OIT, a reconfiguração do mundo do trabalho, o 4.0, alterações pelas mudanças climáticas e o Brasil caiu no obscurantismo na discussão deste tema”, afirmou o secretário de Meio Ambiente da CUT, Daniel Gaio, que criticou grande parte dos ministros do governo de Jair Bolsonaro principalmente o que ocupa a mesma pasta que ele que ignora este tema a nível nacional.

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Foto: Lidyane Ponciano

O professor da Universidade Federal do ABC, Diego Azzi disse que “não há transição justa sem estado forte”.

“Ela (transição justa) não pode ser deixada nas mãos do mercado, pois nem todas as proposições são lucrativas e o mercado nunca a fará, por causa disso. Tem ser um Estado forte, atuante e investidor nesta questão. Demanda uma transição planejada e coordenada, com a cooperação multilateral e diálogo social.  É na verdade um instrumento de luta dos sindicatos que favorece a renovação do movimento sindical.”

Sobre o debate do respeito a agricultura familiar, Daniel Dresh, da Fetraf-CUT de Santa Catarina falou sobre as diferenças regionais dos produtores rurais e o desafio de respeitar cada um deles.

Segundo Dresh, cada região do país tem um tipo de agricultor, como os influenciados fortemente pelo capitalismo, os que se tornaram escravos da atividade, os que vivem de atividades mais ambientais e os de colheita de frutas e extrativismo da borracha e os que tentam sobreviver de alimentar a família, ter água e alimento.

“É neste país que vivemos, que temos que diferenciar, tudo que faz esta coisa bonita, esta riqueza cultural.”

Mesa o “Futuro do Trabalho, novas tecnologias, ocupações e os impactos na saúde do trabalhador”

A presença de transformações constantes no mundo do trabalho, com a consolidação de formas flexíveis de jornadas, avanço do trabalho remoto e proliferação de tecnologias impessoais já se apresentam como uma questão, também de saúde coletiva.

Não são raros os diagnósticos de categorias marcadas por adoecimentos psicológicos, implicando em fortes marcas na vida e na trajetória de uma geração de profissionais.

Parcelas as férias, exercer jornadas que podem chegar a 12 horas, estar ocupado em trabalhos intermitentes sem segurança de rendimentos nem as horas trabalhadas são apenas alguns exemplos de práticas legalizadas nas relações trabalhistas que têm profundos impactos na saúde dos trabalhadores atentando para a necessidade de formulação coletiva no que tange a essas pautas e reafirmando essa agenda como essencial para os novos tempos que virão.

“A nossa tarefa é, a partir de agora, pensar em como o sindicalismo vai lutar para melhorar a qualidade do trabalho e da vida das pessoas, como por exemplo, essas novas tecnologias vão gerar ocupações de trabalho seguros? Com menos riscos à saúde dos trabalhadores ou trata-se apenas de mais uma inovação de máquinas e aplicação delas no trabalho”, disse a secretária de Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida da Silva.

Participaram também da mesa de debate Mara Freitas, representando o Fórum Sindicato e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador e da Trabalhadora de Minas Gerais e a representante da Universidade Federal de Juiz de Fora, Ana Clauda Moreira Cardoso.

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Disponível em <https://sindifes.org.br/cut-e-centrais-aderem-ao-grito-dos-excluidos-no-dia-7-de-setembro/> Acesso: 17/09/2019 às 04:41