Carta Aberta à Prefeitura de Belo Horizonte

Tornamos público nosso apoio às medidas estabelecidas pelo decreto municipal nº 17.523, da Prefeitura de Belo Horizonte, orientada pelo Comitê de Enfrentamento COVID-19. Esse decreto vem em resposta ao aumento vertiginoso dos casos de infecção, transmissão, internações e óbitos causados pela pandemia da COVID-19, considerando principalmente os índices de ocupação dos leitos de UTI disponíveis na Capital.

Estabeleceu-se o retorno à fase zero, do início da quarentena em meados de março de 2020, em que podem funcionar apenas serviços considerados essenciais. A medida vem no intuito de diminuir as possibilidades de aglomeração e consequente alastramento da doença. Apenas em Belo Horizonte, no dia 08 de janeiro, são 66.916 casos confirmados da doença, sendo que, no dia 07, foram diagnosticadas mais 1.068 pessoas infectadas com a COVID-19. Em escala nacional, são 7.961.673 casos da doença, sendo que foram novos 87.843 casos no dia 07. O Brasil é o segundo país em número de vidas ceifadas, atrás apenas dos Estados Unidos, e o terceiro em número de infecções, nesse quesito atrás também da Índia.

Assim, a medida da PBH é estritamente necessária. Em relação aos leitos de UTI, a taxa de ocupação em Belo Horizonte bateu o índice de 85,1% no dia 08 de janeiro. Conforme Nota do Grupo Colaborativo de Coordenadores de UTIs de Belo Horizonte, “um paciente crítico com COVID que não encontra uma vaga de UTI tem 3 a 4 vezes mais chances de morrer e os 90 leitos de UTI que ainda temos é muito pouco para o que precisamos para atravessar os próximos meses. Os outros leitos de UTI de paciente com doenças cardíacas, neurológicas, pulmonares, cirúrgicas, oncológicas, infecciosas, trauma, etc. também estão lotados e não temos mais leitos para remanejar”.

Sabemos também que nos hospitais ainda não chegaram todos os pacientes com casos mais graves da doença, que a contraíram no período de festas de fim de ano, uma vez que a infecção demora cerca de 5 dias para se manifestar e entre 10 e 12 dias para alcançar um nível de gravidade que demande internação em UTI.

A medida, em nível municipal, vem na contracorrente das políticas em nível nacional, em que a necropolítica do governo Bolsonaro insiste em menosprezar os efeitos da pandemia e os próprios alarmantes dados de número de óbitos e de infectados pelo COVID-19. Justamente por essa política de negação da ciência, vivemos um momento em que diversos países do mundo começam a vacinar os seus cidadãos e no Brasil ainda não se tem certeza nem se possuiremos o número de seringas e agulhas para vacinar toda a população.

Porém, a despeito da necropolítica de Bolsonaro, a CORONONAVAC, vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa SINOVAC, demonstrou eficácia de 78% de eficácia contra a OVID-19 e eficácia total contra casos graves e moderados da doença, que necessitam de internação, segundo dados apresentados pelo Instituto. Ainda no dia 7 de janeiro, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 100 milhões de doses da vacina, que se juntam a mais 2 milhões de doses compradas da vacina produzida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford, em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ), com previsão de início de vacinação ainda em janeiro.

Sabemos os custos e os prejuízos sociais e econômicos da retomada do distanciamento social no grau mais restritivo que vivemos durante a pandemia. Porém, os dados concretos demonstram a necessidade imperativa de se evitar uma catástrofe ainda maior do que a que estamos vivendo. Ademais, a perspectiva de início de vacinação já se apresenta em um horizonte próximo. Precisamos cerrar fileiras para combater a doença e, neste momento, isso significa retomar o distanciamento social com responsabilidade, evitar ao máximo as aglomerações e tomar as medidas de proteção individual, com o uso contínuo dos EPIs.

Apoiamos o decreto e cobramos da PBH que torne público o cronograma de vacinação da população belo-horizontina e que cobre do governo estadual um posicionamento semelhante.

Está acabando. Façamos a nossa parte. Cuide-se! Cuide dos seus! Cuidemos uns dos outros!

Paz, saúde e vacina.

Assinam:

APUBH – Sindicato dos Professores da Universidade Federal de Minas Gerais e Campus Ouro Branco/UFSJ – Gestão Travessias na Luta – 2020/2022

ABJD/MG – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia/Minas Gerais

ABMMD/MG – Associação Brasileira de Médicos e Médicas pela Democracia/Minas Gerais

APG – Associação de Pós-Graduandos e Pós-Graduandas da UFMG

CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

DCE – Diretório Central dos Estudantes da UFMG

FEPEMG – Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais

FITEE – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino

FOMEJA – Fórum Mineiro de Educação de Jovens e Adultos de Minas Gerais

OAP – Organização dos Aposentados e Pensionistas da UFMG

SBPC/MG – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

SINAD-MG – Sindicato dos Advogados no Estado de Minas Gerais

SINASEFE- IFMG – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Seção Sindical IFMG

SINDADOS/MG  – Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares do Estado de Minas Gerais

SINDIELETRO – Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores da Indústria Energética de Minas Gerais

SINDIFES – Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino

SINDIPETRO/MG – Sindicato dos Petroleiros – Minas Gerais

SINPRO – Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais

SINTECT-MG – Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios de Minas Gerais

UNCME/MG – União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação de Minas Gerais

UNE – União Nacional dos Estudantes

 

 

Fonte: APUBH


Disponível em <https://sindifes.org.br/ufmg-permanece-na-etapa-1-do-plano-de-retorno-das-atividades-presenciais/> Acesso: 20/01/2021 às 19:14